Desabafos de um Salvo pela graça

Desabafos de um Salvo pela graça

E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.

DESABAFOS DE UM SALVO PELA GRAÇA

 E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Assim como também diz em Oseias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada; e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali mesmo serão chamados filhos do Deus vivo. Romanos 9:10-26.

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Romanos 7:18.

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Filipenses 2:13.

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:1-10.

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Romanos 8:28-30.

Sempre me enxerguei cristão, até pela minha conversão acontecer bem cedo, aos quatro anos de idade. É óbvio que não entendi a profundidade de tal evento na época. Contudo, em mim, algo diferente cresceu e continuou num processo de amadurecimento. Tudo era muito novo, mesmo sendo eu de pouca idade. Nascido em lar cristão, sempre frequentei igrejas. Pai e mãe envolvidos com ensino, pregação e serviço no Reino. Não vivi outra realidade que não fosse eclesiástica. Já ouvi todo tipo de pregador. Mansos, empolgados, silenciosos, ruidosos, prepotentes, humildes, canelas de fogo, embasados, argumentadores, orgulhosos, vaidosos, piedosos, mestres etc. Poucas vezes consegui respostas diretas para os meus desabafos espirituais. Talvez por isso esteja aqui escrevendo. Quem sabe as suas angústias não são as mesmas que eu tive?

Passados alguns anos da minha conversão, eu vivia atormentado pelo fantasma da seguinte pergunta: Sou salvo mesmo? Isso tudo porque eu me questionava se realmente tinha nascido de novo, pois, era criança. Então, sempre que ouvia um apelo, eu achava que tinha que “formalizar” a conversão na minha fase adulta, cumprindo todo aquele ritual de levantar a mão no momento do apelo e ir até a frente para receber a oração da salvação. Tolice. Hoje sei disso. Minha mente era tão presa aos “rituais de salvação” que me culpava por ser um covarde e não conseguir levantar a mão e caminhar até o púlpito para ser salvo. Ainda mais porque eu já era conhecido por todos como cristão. Seria uma incoerência me verem de novo no altar, mas, eu ainda não tinha “entregue” a minha vida ao Senhor depois de mais consciente a respeito da salvação. Iludido. E uns pregadores ainda massacravam o meu cérebro com as frases: “Não dê lugar à timidez e nem ao Diabo, venha correndo para os braços do Senhor”, “Ele não se envergonhou de você, e você vai se envergonhar dEle?”, “Ele está te implorando para vir aqui e dar uma chance a Ele, e você vai ficar aí parado?”. Blá-blá-blá. Não há nada de Deus nisso.

Mas a angústia foi aumentando. Existiam pregações sobre o fim dos tempos. Afinal, meu nome estava ou não escrito no livro da Vida? Deus tinha levado em consideração ou não a minha conversão na infância? Ou levou em consideração a minha conversão em secreto depois de mais consciente? Cristo me perdoaria pela timidez de não querer me converter “de verdade” agora? Com isso eu tentava ser “mais” crente ainda. Orava mais, lia mais a Bíblia. Tentava mostrar com as obras que eu era realmente um cristão e que estava “de acordo” para ir para o céu. Todos me viam como um crente. Será que Deus também? Tomara que sim, pensava eu.

Os anos foram se passando. Naturalmente o meu pensamento foi ramificando e ganhando complexidade. Certas afirmações de púlpito já não desciam tão facilmente. Uns afirmavam que, uma vez escrito o nome no livro da Vida, nada apagaria, pois estaria selado pelo Senhor. Outros, afirmavam que a gente ia conquistando a salvação dia após dia e que se vacilasse perderia a salvação. Era uma roda viva. Pelo sim pelo não, o medo falava mais alto e optava pelas obras que merecessem a salvação. Não era só obediência ao Senhor. Vai que Ele volta de repente e eu não pedi perdão pelo último pecadinho que cometi? Ir pro inferno por causa de bobeira? Eu não. Confiava nas minhas forças. Interpretava mal o texto. Virou pretexto.

Aí entrava outra agonia. Minha natureza cometia erros que eu não queria. Lutava, lia a Palavra, orava sem cessar, virava um “santo” e, quando menos eu esperava, caía em diversos erros de novo. Aí vinha o sentimento de estar indo para o inferno. A salvação tinha ido por água abaixo, pensava eu. O meu nome tinha sido apagado do livro da Vida. Ou talvez riscado. Será que existia corretivo celestial? Parece brincadeira, e é. Mas, não foi fácil ficar na dúvida se ao final das contas eu estaria apto para ir pro céu. Eu me esforçava muito, mas acabava errando. Via tantos “homens” e “mulheres” de Deus que pareciam perfeitos e que sempre recriminavam a conduta dos membros da igreja, que eu imaginava que só pastor, missionário, ministro de louvor e professor de EBD tinham 100% de chance de serem salvos, pois eles não pecavam em sequência como nós, pobres ovelhas comuns do rebanho. Engano.

Então, comecei a buscar conhecer mais a Deus por conta própria mesmo, afinal nem sempre podemos falar abertamente sobre nossas dúvidas espirituais. Parece ter “santo” demais na igreja. Só eu tenho dúvidas? Enfim… O Espírito Santo me impulsionou a estudar e buscar orientação em oração. Sou grato a Deus pelas pessoas enviadas para me ensinar verdades que me ajudaram a enxergar mais facilmente a liberdade que há em Cristo. Mas, voltemos ao desabafo. As perguntas vinham em avalanche. Como fazer para me livrar da escravidão do pecado? Enquanto for humano, conseguirei não pecar? Consigo eu fazer alguma coisa por mim mesmo? Como terei certeza da minha salvação? A minha vida está em aberto? A Bíblia afirma que Deus é soberano. Também é onisciente, onipresente e onipotente. Até que ponto minhas atitudes erradas vão “estragar” os planos eternos dEle? Estaria eu arruinando os planos de Deus na minha vida por causa dos meus erros? Por que eu não consigo, mesmo lutando muito, ser o “super-crente” que tanta gente exibe com tamanha facilidade? Seria eu um aproveitador da graça de Deus, ou todo mundo sofre com as mesmas miserabilidades carnais que eu? Estaria Deus na defensiva, mudando os planos dEle de acordo com as minhas atitudes? Dúvidas, dúvidas, dúvidas…

Afinal, o que eu posso fazer para ser salvo? Alguém mergulhado no pecado, cego pelo erro, vai optar por Deus? Percebi depois de muita observação, estudo e revelação do Espírito que a carne não quer Deus. Ninguém que viva sem uma intervenção divina pode simplesmente mudar sozinho o curso de sua vida. O domínio do pecado é maior. É escravizador. Alguém que está morto em seus pecados e delitos não pode decidir salvar-se por conta própria. Morto não decide. Pode até se achar livre, mas não é burro. Céu é melhor que inferno, mas, uns se dizem livres para escolher se vão pro céu. Outros, vão escolher a condenação eterna, pois, entendem que é o que merecem. Ironia. Tem quem se ache neutro, acima de tudo ou igual a Deus, e que pode escolher livremente entre o bem e o mal. Incoerência. A Bíblia afirma que só há um Deus. Não há como servir a dois senhores. Quem não é por mim, é contra mim, diz o Senhor. Não existe em cima do muro. Não existe neutralidade para optar. Se uma pessoa ainda não escolheu Deus não é por causa do livre-arbítrio nem porque está avaliando a “melhor” opção, mas sim porque está morta em seus pecados e delitos e impedida de fazer qualquer escolha. Está cega e não há como optar pelo Senhor, pois não há em seu ser capacidade de enxergar a necessidade de Cristo em sua vida. Se não está no céu, está no inferno. Não existe um lugar intermediário para os livres escolherem. Diz a Bíblia em João que quem não crê já está condenado. Como que um condenado vai ter liberdade de escolha? Se o Senhor não libertar, não será livre!

Uma vez ouvi uma ilustração que talvez ajude na compreensão deste ponto. Imagine que somos uma pedra que está no alto sendo segurada por uma mão. Se a mão soltar essa pedra, ela certamente cairá pela ação da gravidade. Sendo assim, a pedra não pode se sustentar sozinha no alto por causa da gravidade. Ela precisa da mão que a sustenta em cima para não cair. Explicando melhor, somos essa pedra que está sob a ação implacável do pecado. Se a mão de Deus não nos segurar, seremos gravitacionalmente puxados para baixo pelo pecado. Somos assim, impossibilitados de vencer sozinhos o pecado. E é nessa hora que o Senhor entra com providência, mudando a nossa história.

Percebi, mediante a revelação do Espírito Santo de Deus, que a salvação não dependia de mim. Não havia o que eu fizesse que pudesse mudar a minha própria condição. E se eu não posso fazer nada para ser salvo, pois não depende de mim, também não há nada que eu possa fazer para perder a salvação, visto que não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim. E se Cristo habita em mim por meio do Espírito Santo, que opera em mim tanto o querer como o efetuar, como que eu conseguiria “matar” o Espírito Santo em mim e me lançar voluntariamente no inferno, tornando-me velha criatura novamente? Não há como! Chega de ficar usando corretivo no livro da Vida para escrever e apagar o meu nome toda hora que eu pecar. Se verdadeiramente o Senhor nos libertar, seremos livres. E aquele que está em Cristo nova criatura é. As coisas velhas já passaram e eis que TUDO se fez novo. A luz dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando até ser dia perfeito. Deus nos regenera e começamos um processo de santificação até encontrarmos com Ele face a face. Lá não sofreremos mais a influência deste corpo corruptível. Somente no céu não mais pecaremos. Infelizmente, enquanto aqui vivermos, por mais que lutemos contra o pecado ainda erraremos.

Sempre ouvi que a Verdade liberta, mas nunca entendi, até que o Senhor abriu os meus olhos. Mesmo sem merecer, o Senhor, de acordo com a sua vontade, me elegeu e me resgatou. Posso sentir o seu amor. Reconheço, hoje, que nada posso fazer sem Ele, pois, o querer o bem está em mim, não o efetuar. Vivo dependente do Senhor. Sei que enquanto for humano irei errar, pois herdei isso de Adão. Mas, em Cristo recebo a justificação e a força para seguir adiante. Não por medo do inferno, pois sei que Ele me livrou das trevas para o reino do seu amor, mas hoje obedeço a Ele por enxergar a sua misericórdia em minha vida. Erro menos porque o Espírito Santo me capacita a viver uma vida mais santa, não por mérito próprio. Percebo, com clareza, que os “super-crentes” não existem, e que tais pessoas precisam ser resgatadas pelo Senhor assim como eu fui. Não preciso mais ficar numa paranóia se levantar ou não a mão no momento do apelo me fará entrar nos céus. Apelo, batismo e ceia não salvam! Cristo salva!

Daria para falar muito mais sobre a ilusão da força humana em tentar se livrar do que não consegue: o pecado. E mais ainda da ilusão de achar que em algum momento poderá optar livremente por Deus. Como diz Spurgeon, “se você houver de tê-lo, ele já é seu”. Certamente que alguém só enxergará o Senhor como seu, se assim o Senhor o fizer.

O Senhor tem falado ao seu coração? Uma sede de conhecer melhor a Deus tem brotado do seu interior? O Espírito Santo tem aberto os seus olhos para o reino espiritual? Você tem se enxergado um miserável pecador carente da graça de Deus? Você não aguenta mais a natureza pecaminosa que insiste em escravizar o seu ser? Então, arrependa-se! Certamente o Espírito Santo já está fazendo uma obra de regeneração em sua vida, fazendo brotar fé em seu interior. Busque respostas em oração e estudo da Palavra. Você é uma pessoa que foi eleita por Deus! Amém.

Termino com a convicção de que sou do Senhor e com a seguinte mensagem maravilhosa contida em Romanos 8:31-39:

Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

No Amor de Jesus,

Staney Medeiros

Fonte:www.subscritos.com